Bem-vindo

Em 2008 decidi escrever e postar alguns textos, artigos e opiniões sobre o que vem acontecendo com o mundo, lições percebidas e aprendidas não só em minhas poucas experiências, mas de personalidades, amigos e até de você leitor que não conheço pessoalmente.

Devemos Ser/Ter atitudes diferentes, não adianta reclamar do mundo ao redor. Se queremos que as coisas ao nosso redor mudem, precisamos mudar primeiro.

Desejo do fundo do meu coração que este espaço seja realmente destinado a nossa reflexão, aprendizado e crescimento.

Abraço,

Henrique Borges

20 de set. de 2009

Você não deve se envolver com os negócios do país.

Esse texto é de um cara super fera. Sempre estou lendo seu blog, twitter ....

Você não deve se envolver com os negócios do país.

"Não é função do governo ajudar o cidadão a evitar o erro, é função do cidadão ajudar o governo a não cair no erro."

Duas semanas atrás quando enviamos o e-mail marketing sobre o curso de vendas em Itajubá, Minas Gerais, uma "autoridade" da cidade, foi logo dizendo "Quem deu autorização para vocês usarem a bandeira da cidade? Vocês sabiam que não é permitido o uso de símbolos públicos no convite de eventos privados? Retire!".

Nos EUA sete a cada dez americanos hasteiam orgulhosamente a bandeira americana na porta das suas casas, no vidro dos seus carros, na entrada das suas empresas e na camiseta que vestem para bater uma bolinha sem a necessidade de pedir a benção para o Obama ou Bill Gates. O uso diário de bandeiras nacionais é tão grande nos EUA que um brasileiro desavisado que visita uma cidade do interior de Nova Iorque pode ser levado a pensar que tá rolando algum tipo de feriado nacional.

Aqui, a coisa ainda é diferente, faz tempo.

Na história do Barão de Mauá - então pretendente a empreendedor e empresário, existe um episódio onde o Visconde de Feitosa vira para Mauá e diz, "Meu rapaz, a melhor maneira de servir ao seu país é não se metendo nos assuntos do país. Abra a sua empresa, faça os seus negócios, pague os impostos que você deve e ponto. Você não precisa se envolver com os negócios do país. Os negócios do Brasil são os negócios do Imperador. Se você não quiser viver um pesadelo, não se meta nos negócios do Imperador."

O americano costuma afirmar que os EUA tem 233 anos e não 500 anos. Eles não contam a idade do país a partir do dia do descobrimento. Eles começam a contar a idade do país a partir do 4 de Julho de 1776, dia da independência. Eles dizem que antes dessa data o quê existia por lá era uma colônia inglesa baseada em valores colonizadores e não um país livre e empreendedor.

Diferente do Brasil, quando aconteceu a independência americana, os primeiros cidadãos americanos realmente rasgaram os manuais ingleses de colonização e realmente quebraram as correntes que os prendiam a filosofia usurpadora inglesa. Quando o Brasil declarou a independência em 1822, continuamos a ter rei, corte, visconde, imperador, regalias para a trupe de puxas sacos do rei em versão tupiniquim piorada com o jeitinho brasileiro que nos é peculiar.

Uma pergunta que eu sempre me fiz: "Por que as casas e edificações em São Paulo e em todas as outras cidades do país são coladas umas nas noutras?" Uma vez que o Brasil tem terras e espaço mais do que o suficientes para acomodar confortavelmente todos os seus cidadãos em casas espaçosas com áreas de jardins em volta e lazer etc, por que vivemos colados uns nos outros?

Porque historicamente foi dada uma grande quantidade de terra a viscondes, barões e bispos obrigando as pessoas que não faziam parte das cortes (que nunca foram verdadeiramente extinguidas) a viver espremidas em uma quantidade relativamente pequena de terra.

Enquanto o Brasil manteve um modelo arcaico de distribuição de riqueza que perdura até hoje, os EUA - entre outras coisas - distribuiram terras para todos os americanos pioneiros com vontade de estabelecer família no Oeste, Centro e Sul do país. Quem viaja esse brasilzão sabe o quanto o nosso país é carente de profissionais, empresas e estruturas adequadas para desenvolver melhor o potencial de crescimento de milhões de pessoas e negócios.

Vivemos um círculo vicioso. O cidadão não faz algo pela sua cidade porque historicamente foi levado a pensar que não é com ele, e o governo não faz nada porque historicamente sabe que o povo não vai se rebelar contra a falta de trabalho.

A cidade de Itajubá tem um dos melhores sistemas de ensino universitário do Brasil. Itajubá possui seis estabelecimentos de ensino superior: Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), Faculdade de Medicina de Itajubá (FMIt),( Escola de Enfermagem Wenceslau Bráz) (EEWB), Centro Universitário de Itajubá (UNIVERSITAS), Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas do Sul de Minas (FACESM) e Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC) e Faculdade de tecnologia internacional Uninter.

Entretanto, poucos são os filhos de cidadãos da cidade de Itajubá que estudam nessas faculdades. Por que? Porque a cidade não tem escolas básicas boas o suficiente para formar jovens capazes de ingressar nas melhores faculdades. E ninguém faz nada a respeito há décadas.

Historicamente foi dito para as pessoas não se meterem nos negócios públicos, entretanto, tem gente que se mete onde não é chamado e muda para sempre a história da sociedade em que vive.

Há quarenta minutos de Itajubá fica uma pequena cidade mineira de 36.150 habitantes chamada Santa Rita do Sapucaí. Santa Rita do Sapucaí é conhecida em Minas Gerais e em todo mundo como o "Vale do Silício" brasileiro. Na pequena Santa Rica existem hoje mais de 130 empresas de pequeno e médio porte de eletrônica e telecomunicações que juntas faturaram mais de R$ 1 bilhão de reais em 2008!

A semente do Vale do Silício brasileiro foi plantada pela milionária benemérita "Sinhá Moreira", que fundou a primeira escola técnica de eletrônica do Brasil em Santa Rita do Sapucaí. É isso mesmo, a primeira escola de eletrônica do país não é paulistana ou carioca, é mineira, e do interior. O sucesso da escola fundada por "Sinhá Moreira" incentivou a criação de outras escolas como a INATEL e a FAI. Essas três escolas formam hoje a mão-de-obra do Vale que se forma por lá e por lá mesmo fica.

A renda per capita da pequena Santa Rita do Sapucaí é alta se comparada com cidades bem maiores como Sorocaba, Uberlândia e Piracicaba.

Sinhá Moreira, 1907 - 1963, foi uma cidadã brasileira, milionária, filha de Coronel e ex-senhor de escravos, sobrinha de um presidente da república, cheia de dinheiro, posses e terras, que poderia muito bem ter ficado na dela e torrado dinheiro com perfumes e chapéus importados de Paris. Entretanto, depois de uma visita ao Japão onde tomou contato com os princípios da eletrônica, decide fundar em 1958 a primeira escola de eletrônica da América Latina, a Escola Técnica de Eletrônica Francisco Moreira da Costa, que foi a semente do Vale da Eletrônica.

Seus gestos e iniciativas criaram a base de uma nova ordem social, que, gradativamente, se instalou na cidade, provocando profundas transformações na cultura local. Sinhá deu início à transformação que levou uma cidade interiorana, produtora de café e leite, ao centro de excelência mundial em Eletrônica e Tecnologia da Informação.

“Com inteligência e determinação, Sinhá Moreira criou a primeira escola de eletrônica da América do Sul. Com sua visão universal, Sinhá empenhou-se em desenvolver um trabalho no seu micro universo, numa cidade que mal aparecia no mapa de seu país. No entanto, hoje, essa cidade é exemplo reconhecido mundialmente graças a Sinhá Moreira”, Raquel de Queiroz, imortal escritora brasileira no editorial da revista O Cruzeiro (similar a revista Veja naquela época) de 1959.

D. Sinhá é amplamente lembrada na cidade, cuja admiração dos moradores beira a devoção.

“Sinhá Moreira foi uma iluminista de outros tempos, com uma visão de mundo e uma generosidade inigualáveis. O empreendimento que ela fundou transformou para sempre a formação da juventude de Santa Rita do Sapucaí nos anos 50." Ziraldo, autor do Menino Maluquinho, fundador do Pasquim entre outras maluquices.

Você deve conhecer aquele provérbio que diz "não devemos dar o peixe para as pessoas, mas ensiná-las a pescar". Eu acredito em uma terceira vertente para esse provérbio. Eu acredito que não devemos dar o peixe e muito menos ensinar as pessoas a pescar. A nossa missão é explicar para as pessoas o que é um peixe, o que é um rio e o que é uma vara; e deixá-las decidirem sozinhas o que tem que ser feito. Se fizermos isso, as pessoas vão descobrir melhores maneiras de pegar um peixe. Alguns vão pular no rio e pegar o peixe com a boca, outros vão dar as costas para o rio e comer um frango, e outros vão usar a vara para fazer outra coisa que não seja pegar o peixe.

O nosso trabalho é ampliar as opções das pessoas, e não apenas educá-las ou liberar dinheiro.

O que distingue um verdadeiro campeão de um cara medíocre?

O repertório. O campeão tem um vasto repertório de jogadas, lances, alternativas, opções, técnicas e habilidades. O cara medíocre pensa que só existe uma opção para resolver as coisas.

Eu ouvi a história da Sinhá Moreira pela primeira no sábado dia 12 de setembro quando estive em Itajubá, dia 13 eu achei que tinha que escrever sobre ela, dia 14 eu comecei a pesquisar, dia 15 eu pensei a respeito, dia 16 eu escrevi, e hoje, dia 17 de setembro, você está conhecendo Sinhá Moreira através do meu texto.

Você sabe o que aconteceu no dia 17 de Setembro de 1907?

Nascia Luzia Rennó Moreira, a Sinhã Moreira em Santa Rita do Sapucaí.

Você sabe quando eu fiquei sabendo que ela nasceu no dia 17 de Setembro de 1907? A meia-noite de hoje, quando o Daniel Grillo, natural de Santa Rita leu o meu texto, e entrou no messenger para me contar.

Um grande coincidência?

Talvez, Provavelmente, quem sabe.

Quase 1 bilhão de pessoas vivem em favelas enquanto levantamos muros com tijolos o suficiente para transformar barracos em casas de verdade. Uma em cada cinco pessoas do planeta tem acesso a internet enquanto jogamos fora 340 mil computadores por dia. O Pólo Norte tá derretando, e os jovens pensam apenas em quando terão dinheiro para comprar um carro esporte com ar condicionado. O faturamento do Walmart supera os 370 bilhões de dólares enquanto 80% da população do mundo vive com menos de 10 dólares por dia.

Eu espero que a história da Sinhá Moreira possa inspirá-lo a ampliar as opções das pessoas e mostrar paixão pela sua cidade e comunidade ao liderar algum projeto realmente revolucionário para quem precisa.

NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!
QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?

TEXTO DE RICARDO JORDÃO!
http://www.bizrevolution.com.br/bizrevolution/2009/09/voc%C3%AA-n%C3%A3o-deve-se-envolver-com-os-neg%C3%B3cios-do-pa%C3%ADs-.html

Um comentário:

reflexão disse...

Queremos um mundo de pé! A cada vez mais um país depende do outro. Na verdade um povo depende do outro. E isto é muito bom, pois só nesta dependência é que podemos promover o processo de humanização. O mundo está cada vez mais interligado e interdependente, tudo está se configurando desta forma. E será que os políticos querem que o ser humano não necessita muito das fronteiras? Eles querem escravos políticos! E a liberdade é a demonstração que somos seres humanos, pois é com ela que aprendemos a ser seres humanos por isso que devemos desenvolve-la e pratica-la, pois só assim podemos dizer que estamos também desenvolvendo a democracia!