Bem-vindo

Em 2008 decidi escrever e postar alguns textos, artigos e opiniões sobre o que vem acontecendo com o mundo, lições percebidas e aprendidas não só em minhas poucas experiências, mas de personalidades, amigos e até de você leitor que não conheço pessoalmente.

Devemos Ser/Ter atitudes diferentes, não adianta reclamar do mundo ao redor. Se queremos que as coisas ao nosso redor mudem, precisamos mudar primeiro.

Desejo do fundo do meu coração que este espaço seja realmente destinado a nossa reflexão, aprendizado e crescimento.

Abraço,

Henrique Borges

13 de abr. de 2009

O MINÉRIO É NOSSO?

Na semana passada, o governo federal gastou uma pequena fortuna publicando anúncios em jornais internacionais, como o The Wall Street Journal, para exaltar as maravilhas da economia nacional. Num dos textos, dizia-se que o ferro das montanhas brasileiras é o "caviar" do mundo mineral. Sem ele, não se faz aço de boa qualidade. Mas o mesmo governo que é bom de propaganda pode estar fechando os olhos para a entrega, de bandeja, desse caviar aos empresários chineses. Na semana passada, o bilionário Eike Batista anunciou que pretende vender sua mineradora, a ainda pré-operacional MMX, a siderúrgicas da China.
Numa conferência com investidores, disse que eles virão correndo para cá porque acabam de ser barrados numa outra aquisição - a Chinalco pretendia comprar a Rio Tinto, mas a sociedade australiana é contra.
Condenar investimentos externos em plena era da globalização pode parecer conversa de dinossauro, mas não é bem assim. Países muito mais liberais do que o Brasil, como a Austrália, o Canadá e o Chile, tratam suas minas, que geram boa parte das reservas internacionais, como um ativo estratégico - e não permitem que elas caiam em mãos inimigas.
Além de poderem perder a Rio Tinto, os chineses também não conseguiram levar a canadense Noranda em 2004. E a razão do veto foi sempre o chamado "interesse nacional", por mais combalida e piegas que seja a expressão. No caso brasileiro, a venda de grandes jazidas de ferro aos chineses seria ainda mais nociva. Neste exato momento, as siderúrgicas de lá tentam obrigar a Vale a reduzir em 40% o preço do minério, um produto que garante 10% das exportações nacionais.
Eike Batista, que se tornou o homem mais rico do Brasil vendendo projetos, segue sempre um padrão e não tem nenhuma obrigação de agir de acordo com os interesses nacionais. Com um bom mapa de oportunidades no setor mineral, ele foi ao mercado de capitais e levantou bilhões. Mas o que ninguém esperava era que, em tão pouco tempo, a sua "mini-Vale" pudesse se tornar uma empresa de olhos puxados. Se isso de fato acontecer, não é preciso ser um gênio para adivinhar o que ocorrerá com o "caviar" brasileiro. O minério nacional terá seus preços aviltados e subsidiará a siderurgia chinesa. Esta, por sua vez, subsidiará a indústria local de carros, fogões e geladeiras. E o Brasil, além de perder competitividade num dos poucos mercados em que é líder global, terá ainda menos condições de concorrer com os chineses em outros setores. Depois desse insano ato de lesa-pátria, não haverá propaganda no The Wall Street Journal que resolva.

Eike Batista quer dar de bandeja aos chineses um pedaço nobre do nosso subsolo.

Leonardo Attuche-Isto É

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