Bem-vindo

Em 2008 decidi escrever e postar alguns textos, artigos e opiniões sobre o que vem acontecendo com o mundo, lições percebidas e aprendidas não só em minhas poucas experiências, mas de personalidades, amigos e até de você leitor que não conheço pessoalmente.

Devemos Ser/Ter atitudes diferentes, não adianta reclamar do mundo ao redor. Se queremos que as coisas ao nosso redor mudem, precisamos mudar primeiro.

Desejo do fundo do meu coração que este espaço seja realmente destinado a nossa reflexão, aprendizado e crescimento.

Abraço,

Henrique Borges

10 de nov. de 2008

Os nossos irmãos...

Para alguns, Marcos diz que é fazendeiro e dono de uma cobertura no Setor Bueno; para outros, conta que é agente do Exército Brasileiro em missão ultra-secreta e que desceu de pára-quedas no Parque Vaca Brava, vindo de São Paulo. Os colares extravagantes, a flor vermelha de tecido na lapela do casaco velho, o olhar e a eloqüência desconexa – ele garante ser capaz de falar cinco idiomas diferentes e parece misturar todos eles – mostram uma realidade bem diferente do seu mundo imaginário.



Seguranças, frentistas e porteiros que trabalham na Avenida T-5, nas proximidades do parque, contam que Marcos é alcoólatra e por vezes agride a si mesmo. Já foi visto batendo com a cabeça numa placa de concreto e está sempre exposto ao risco de atropelamento. Precisa de tratamento e não é o único, nem na rua e nem fora dela. Sete anos depois de publicada a Lei nº 10.216, que redirecionou o modelo de assistência em saúde mental no Brasil, promovendo a chamada reforma psiquiátrica, os direitos de muitos pacientes, inclusive à proteção, ainda não saíram do papel.



O modelo asilar, com internações em hospitais, está sendo banido, mas junto com a redução vertiginosa de leitos e a restrição das internações o que se vê é a desassistência. A estruturação da rede de serviços emergenciais e ambulatoriais e de residências terapêuticas não acompanhou o ritmo do desmonte dos leitos hospitalares.



Se antes os pacientes viviam trancafiados nas clínicas psiquiátricas, privados do convívio com a família e a sociedade, hoje, além de ficar perambulando pelas ruas eles também estão nas emergências dos prontos-socorros, nas cadeias ou em prisões domiciliares – neste caso, especificamente, sejam eles ricos ou pobres.



Em celas especialmente construídas nos fundos de um barraco pobre do Parque Real, em Aparecida de Goiânia, são mantidos encarcerados Nara, de 36 anos, e Fábio, de 44. Alberto (o nome é fictício porque foi essa a condição imposta pela irmã para conceder a entrevista), de 68, vive trancado na acomodação de serviço de um confortável sobrado com piscina de um dos bairros mais nobres da capital. Portador de psicose maníaco depressiva e agressivo, ele só extrapola os limites do pequeno quintal fechado por muros de quase 3 metros de altura sob efeitos de calmante. Cada uma por suas próprias razões, as famílias alegam que a clausura foi a única forma encontrada para proteger os doentes e a si.



As autoridades da área de saúde mental admitem a insuficiência da rede. Pesquisa do Ibope para a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em 2007, com 2 mil doentes que dependem do setor público, revelou que apenas 33% conseguiram agendar consulta em menos de 30 dias, mesmo em crise. Em Goiânia, essa dificuldade pode ser sentida com maior intensidade no Ambulatório Psiquiátrico e no Pronto-Socorro Psiquiátrico Wassily Chuc. No ambulatório, 400 pacientes aguardam na fila de consulta. “Serão necessários quatro a cinco meses para zerar a fila”, estima o coordenador municipal de Saúde Mental, Marcelo Trindade. A situação ajuda a explicar a sobrecarga do Pronto-Socorro Psiquiátrico. Pela unidade passam entre 100 e 110 pacientes por dia. De 30 a 40 precisam ser internados, mas quase metade está sendo medicada e orientada a esperar em casa. O Pronto-Socorro interna os casos mais graves, por 72 horas.
Os demais pacientes precisam ser transferidos para as clínicas, mas não há vagas. O problema é mais grave nos casos de dependentes químicos. Eles representam metade da demanda por internações e só podem contar com uma clínica. “Em geral, temos 4 a 5 vagas para cerca de 15 a 20 pacientes. Às vezes não temos nenhuma.”


O que eu e você podemos fazer?

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